"Codigo Da Vinci" - Comentarios do Capitulo 55

"Todas as descrições de Obras de arte, arquitetura,documentos e rituais secretos nesse correspondem rigorosamente à realidade"

Li com muito interesse o Livro “O Código Da Vinci”, de Dan Brown, devorando dois terços do livro em três dias. Achei muito interessante o modo como o escritor prende o leitor no emaranhado de situações curiosas que se desenvolvem. É engraçado como ele frequentemente usa a expressão "franzir o cenho".
Com o passar dos capítulos, porém, me batia a sensação de que o livro era um tributo ao paganismo, e comecei a achá-lo um tanto estranho, em especial a argumentação que surgiu a partir do capítulo 55. Alguns alegam que Brown errou feio em muitas informações, contrariando o que ele mesmo escreveu numa página antes do Prólogo, sob o título de “fatos”.
Claro que Dan Brown já esperava uma enxurrada de críticas ao seu trabalho, em especial de religiosos mundo afora, assim como os religiosos dentro de sua obra protestavam contra as idéias das personagens pró-paganismo.
Apesar de muitos erros serem cometidos nessa obra, alguns, na ânsia de contestar Dan Brown, acabam se afobando muito, como o texto “Desautorizando o Código Da Vinci”, do site “chamada.com.br”. Lá o escritor menciona que a década da descoberta dos rolos do Mar Morto foi a de 40, não a de 50, como dissera o livro de Brown. É verdade, as descobertas começaram em 1947, mas adentraram na década seguinte. Não dá para afirmar categoricamente que Brown cometeu um erro grosseiro.

Mas deixe-me comentar sobre alguns assuntos debatidos entre as persongens a partir do capítulo 55. Eis uma dessas conversas:
Livro: …E tudo o que precisa de saber a respeito da Bíblia pode resumir-se ao que disse o grande
doutor canónico Martyn Percy: «A Bíblia não foi enviada do céu por fax.»
- Desculpe?
- A Bíblia é um produto do homem, minha querida, não de Deus. Não caiu magicamente das nuvens. O homem criou-a como um registo histórico de tempos tumultuosos, e tem evoluído ao longo de inúmeras traduções, adições e revisões. A História nunca conheceu uma versão definitiva do livro.
Masopias: É curioso o fato de que a Bíblia, nas suas mais de 1500 páginas (número mediano) praticamente não muda, independente da tradução. A interpretação pessoal é que tem variado. Imagine, o Apocalipse já foi escrito há quase 2000 anos, e a bíblia desde aquela época tem sido a mesma (que ninguém leve isso de modo pessoal, mas a Igreja Católica fez adições, ao incluir em 1546 alguns livros, como Tobias e Judite).
Entendo que a fala da personagem acima citada dá a entender que a bíblia foi assim sendo remendada a bel prazer de alguns, para se adequar a suas necessidades.
Só das Escrituras Hebraicas hoje talvez existam uns 6000 manuscritos catalogados, completos ou de partes dela. Uma análise deles pode claramente evidenciar que o conteúdo dela não mudou substancialmente (é claro, eram copiados a mão. Algum erro de grafia poderia ocorrer). O relativismo quanto ao texto bíblico dessa parte não corresponde a verdade!

Livro: - Foram considerados mais de oitenta evangelhos para o Novo Testamento, e no entanto, apenas uns poucos acabaram por ser escolhidos... entre eles os de Mateus, Marcos, Lucas e João.
- Quem escolheu que evangelhos incluir? - perguntou Sophie.
- Aaah! - exclamou Teabing, com incontível entusiasmo. - A ironia fundamental do cristianismo! A Bíblia, tal como hoje a conhecemos, foi coligida por um pagão, o imperador romano Constantino, o Grande.
Masopias: A Igreja Católica, de fato, afirma que no Concílio de Cartago ela definiu que livros fariam parte da bíblia, isso em 397. Constantino morrera em 337 e o concílio que convocara era o de Nicéia, em 325.
Alguns catalogadores do segundo século (portanto dois séculos antes de Constantino), já listavam os escritos que os Cristãos aceitavam como verdadeiros. Os 4 evangelhos atuais constam em suas listas. Sem dúvida, nunca houve 80 evangelhos! Os apócrifos são menos que um dezena.

Livro: - … - interveio Langdon. - Os vestígios da religião pagã na simbologia cristã são inegáveis. Os discos solares egípcios tornaram-se os halos dos santos católicos. Pictogramas de Ísis a cuidar do seu miraculosamente concebido filho Hórus tornaram-se o modelo das nossas modernas imagens da Virgem com o Menino. E praticamente todos os elementos do ritual católico... a mitra, o altar, a doxologia e a comunhão, o acto de «comer Deus»... foram directamente tirados de religiões pagãs anteriores.
Masopias: Esses Halos são dos pintores … nada tem a ver com a bíblia. Mãe cuidando de filho não deve ser muito incomum mesmo, não é verdade? Mas não descordo muito do autor nesse ponto. A verdade é que Constantino, de fato, fez uma fusão de cristianismo e paganismo, gerando quase uma nova religião, de tão desfigurado que ficou o cristianismo.

Livro: Teabing gemeu.
- Nunca deixe um simbologista começar a falar de ícones cristãos. No cristianismo, nada é original. O deus pré-cristão Mitra... chamado Filho do Sol e Luz do Mundo... nasceu a vinte e cinco de Dezembro,
morreu, foi sepultado num túmulo de rocha e ressuscitou três dias mais tarde. A propósito, 25 de Dezembro é também o dia de aniversário de Osíris, de Adónis e de Dionísio. O recém-nascido Krishna foi presenteado com ouro, incenso e mirra. Até o dia santo semanal do cristianismo foi roubado aos pagãos.
Masopias: Ponto para Dan Brown. O Natal é mesmo um resquício de uma festa pagã. O próprio para João Pauli II admitiu isso. Esse negócio de Krishna … quem imitou quem? Krishna é antigo, mas os relatos de sua infância são posteriores ao cristianismo. Há, porém, muitas outras simbologias pagãs que Brown não citou que a igreja posteriormente assimilou.

Livro: - Originariamente - interveio novamente Langdon -, o cristianismo honrava o Sabat judeu, ao sábado, mas Constantino mudou-o de modo a coincidir com o dia da veneração do Sol dos pagãos. – Fez uma pausa, sorrindo. - Ainda hoje, a maior parte das pessoas que vão à missa ao domingo de manhã não sabe que está ali por causa do tributo semanal dos pagãos ao deus-Sol.
Sophie sentia a cabeça a andar à roda.
Masopias: Os cristãos pré-Constantino não davam importância a dia nenhum. Os cristãos judeus é que sentiam dificuldade de desvencilharem-se de seu sábado. Esse negócio de domingo aí é coisa posterior ao cristianismo primitivo.

Livro: - E tudo isso tem a ver com o Graal?
- Com certeza - declarou Teabing. - Continuemos. Durante esta fusão de religiões, Constantino, que precisava da força da nova tradição cristã, convocou a famosa reunião ecuménica conhecida como Concílio de Niceia.
Sophie ouvira falar de Niceia apenas como tendo sido o lugar onde nascera o Credo Niceno.
- Nessa reunião - prosseguiu Teabing -, foram discutidos e votados muitos aspectos do cristianismo: a data da Páscoa, o papel dos bispos, a administração dos sacramentos e, claro, a divindade de Jesus.
- Não estou a perceber. A divindade de Jesus?
- Minha querida - disse Teabing -, até àquele momento da História, Jesus tinha sido visto pelos seus seguidores como um profeta mortal...um grande homem, e poderoso, mas apesar de tudo um homem. Um mortal.
- Não como o Filho de Deus?
- Exactamente. O estabelecimento de Jesus como «Filho de Deus» foi oficialmente proposto e votado no Concílio de Niceia.
- Espere um momento. Está a dizer-me que a divindade de Jesus resultou de uma votação?
- E bastante renhida, por sinal - respondeu Teabing.
Masopias: É verdade que há vestígios dessa fusão no que hoje se chama de cristianismo, Mas Jesus como filho de Deus é assim descrito nos 4 evangelhos, todos do primiero século. Seja lá o que decidiram naquele concílio não muda nada do que está na bíblia. Mas o concílio discutiu se Jesus era Deus, até onde sei, não se Jesus é filho Dele. Daí veio uma cisão no cristianismo, com os arianos não aceitando a elevação de Jesus ao posto de Deus. Mas todos ali aceitavam Jesus como filho Dele.

Livro: - O busílis da questão é o seguinte - disse Teabing, falando agora mais depressa. - Uma vez que Constantino «promoveu» Cristo a divindade quase quatro séculos depois de ele ter morrido, havia já milhares de documentos que relatavam a sua vida como um homem mortal. Constantino sabia que, para reescrever os livros de História, precisava de um golpe de ousadia. Foi daqui que nasceu o momento mais profundo da história do Cristianismo. - Fez uma pausa, estudando o rosto de Sophie. - Constantino encomendou e financiou uma nova Bíblia, que omitia os evangelhos que falavam das características humanas de Cristo e dava destaque aos que faziam dele um deus. Os evangelhos mais antigos foram banidos, arrebanhados e queimados.
Masopias: A verdade é o contrário disso. Os documentos que apresentavam Jesus como mais do que um simples humano são os primeiros (do 1º Século). Os que o distorceram como mero humano é que são posteriores (nenhum do 1º Século). Além disso, como já mencionado, catalogadores já no segundo século atestavam que livros estavam sendo levados a sério pelos cristãos, antes de Constantino.
Depois o capítulo 55 continua falando de Da Vinci e sua “Última Ceia”.
Francamente, o que Da Vinci pintou 1500 anos depois não interessa como busca da verdade.

Êferos Masopias

Comentários

bloggrez disse…
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